domingo, 2 de agosto de 2009

Funk também é cultura

Montou-se um festival só para o funk, no qual venceu Mc Dedé, com "Respeitar sua mãe, jogar bola e estudar"


TRAFICANTES e criminosos ligados ao PCC tornaram-se, involuntariamente, inspiradores de algumas letras de funks tocados na Cidade Tiradentes, periferia de São Paulo. Era uma espécie de jogada de marketing. Como eles ajudavam, com recursos, as bandas a produzirem seus discos, as letras vinham com referências elogiosas ao crime e consumo de drogas. Surpreendente é que, nesse ambiente hostil, alguém tenha feito sucesso, nas baladas de funk, sugerindo respeito à família, à lei e ao estudo.
A novidade se explica porque o poder público decidiu virar uma espécie de produtor musical: ajudou as bandas não só a gravarem suas músicas mas também a divulgá-las, desde que sem incitação à violência e às drogas. Montou-se um festival só para o funk, no qual venceu Mc Dedé, com "Respeitar sua mãe, jogar bola e estudar". Mas a operação foi além das letras.
Abriu-se um canal de diálogo com a comunidade, e disciplinaram-se as baladas, limitando seu horário; muitos jovens voltaram mais cedo para casa. O resultado se vê num levantamento feito em hospitais, prontos-socorros e delegacias das redondezas: menos violência.
Converteu-se o funk num instrumento de civilidade e paz. É uma informação relevante diante dos dados, divulgados na semana passada, de aumento da violência em São Paulo, após dez anos de queda contínua; a pior notícia de toda a gestão Serra -além das imagens recorrentes da dificuldade de se enfrentar a cracolândia, foco de uma nova operação.

De Gilberto Dimesntein na Folha de São Paulo de 02/08/09

Publico abaixo outro texto de Gilberto Dimesntein sobre a nova cultura

Doces bárbaros


Não sabia que iria enfrentar a criminalidade das letras dos funks -e, ao mesmo tempo, das ruas de Cidade Tiradentes

O BRIGADO a se vestir com um sisudo uniforme, Ronaldo Barreiros estudava num colégio religioso, dirigido por freiras franciscanas que não apreciavam homens de cabelo comprido e brincos -nem bandas de rock.
Deixou a escola porque gostava de deixar o cabelo crescer, usar brincos e tocar numa banda de rock. Agora, com 30 anos, ele não toca em nenhuma banda, mas tenta inventar a rebeldia do funk. "Podia imaginar muita coisa na minha vida, menos que iria ajudar a produzir funk. E, ainda por cima, fazer sucesso."
Ronaldo comandou o grêmio, filiou-se ao PC do B, tornou-se diretor da União dos Estudantes Secundaristas, em São Paulo, fez cursos de arte em Cuba. Formou-se em história na PUC e, depois, se especializou em relações internacionais. Entrou no serviço público e trabalhou na Subprefeitura da Sé. "Até aí, tudo estava relativamente previsível." Não sabia que iria enfrentar a criminalidade das letras dos funks -e, ao mesmo tempo, das ruas.


Quando se tornou, neste ano, subprefeito da Cidade Tiradentes, ele viu que traficantes e criminosos atuavam como uma espécie de produtores culturais, distribuindo dinheiro. Isso ajudava a inflamar as já inflamadas letras dos funks, estimulando a violência e o consumo de drogas, com ataques à polícia e elogios à facção criminosa PCC.
Era ingrediente extra para deixar mais violentas as baladas, que terminavam ao amanhecer, muitas vezes, em brigas. "Joguei a regra do jogo."
Jogar a regra do jogo significava bancar as produções dos discos e viabilizar os shows. Como tinha muitas reclamações dos vizinhos por causa do barulho, aproveitou para determinar que as festas acabassem mais cedo. "Por causa de várias experiências, sabíamos que fechar os bares antes diminui a violência."


Para receber apoio, as bandas deveriam moderar a agressividade das letras -até porque não cairia bem para a prefeitura patrocinar elogios às drogas e ataques à polícia.
Toparam as condições e, então, se apresentaram num festival. Espertamente, algumas bandas criaram funks educativos e, assim, sonharam com um disco gravado. "Só não esperávamos que algumas músicas virassem hit por aqui". Afinal, chegaram a falar da importância de estudar e acatar as ordens das mães. O que era esporádico, como o festival e as eventuais gravações, a partir deste mês torna-se permanente.


Previsto para ser inaugurado neste mês, o centro cultura, batizado de Estação Juventude, foi montado em uma casa abandonada.
Ali, será possível gravar músicas gratuitamente e apresentar shows, além de ser um local para as mais diversas oficinas. "Estou aprendendo a lidar com a rebeldia."


PS- Está no site (www.dimenstein.com.br) as músicas produzidas pelos jovens. Está aí uma homenagem interessante à rebeldia de Tiradentes -o que se ve lá, até hoje, uma das regiões mais pobres de São Paulo, nada tem a ver com independência.

Da Folha de Sãó Paulo de 05/08/09

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Dependência e morte

Na blitz sobre a cracolândia paulistana, deflagrada pelo governo estadual e pela Prefeitura de São Paulo na semana passada, transeuntes que assistiram à operação e até agentes de saúde se surpreenderam com a resistência dos dependentes a se deixar transferir para albergues, a receber ajuda e a ter uma oportunidade de se libertar do crack.
A cobertura de "O Estado de S.Paulo" reproduziu o diálogo entre um garoto de 12 anos e um agente. Ao ouvir a promessa de que, no albergue, ele não teria crack, mas poderia comer pizza à vontade, o menino reagiu a caráter: "Não gosto de pizza. Gosto de crack".
O que surpreende nesse diálogo é a inocência do profissional da saúde, ao acreditar que uma reles pizza poderia curar uma das mais severas dependências químicas já surgidas. Ou que o guri fuma crack por não ter dinheiro para a pizza. Ou que sua preferência pela droga seria produto de sua vontade ou, quem sabe, de sua "má natureza".
Duas ou três cachimbadas de crack são suficientes para estabelecer a dependência. A partir daí, a sensação, que se poderia classificar de prazerosa naquelas primeiras instâncias, muda de figura. Não será mais pelo prazer que o usuário terá de continuar com a droga, e sim para não passar mal -para não experimentar os terríveis efeitos da abstinência. Com qualquer droga é assim, mas com o crack é pior, porque o efeito apaziguador de uma pedra passa em instantes depois de fumada, obrigando o dependente a comprar outra pedra (por R$ 5 ou R$ 10) e fumar de novo.
Os dependentes não querem ir para o albergue porque sabem que lá não há crack e, para eles, ficou impossível viver sem crack. Na verdade, o impossível é viver com crack -mas seus sobreviventes só descobrirão isso depois de purgar todos os demônios da abstinência numa dura internação.

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Texto de Ruy Castro na Folha de São Paulo de 29/07/09

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Recolhimento de mendigos em noites geladas

Se amanhã no Sábado o mendigo já estiver morto, eu chamo o rabecão?


17:30 de 25 de Julho, Sexta-feira, tarde fria e chuvosa do inverno de 2009

Acabei de enviar este e-mail para a rádio Bandeirantes

Prezados Senhores,

Solicito a ajuda de vocês para resolver este assunto

Telefonei várias vezes para a prefeitura de São Paulo tentando pedir para recolherem um mendigo que está dormindo na calçada, perto da minha casa na e ninguém da prefeitura dá uma solução, o pessoal do 156 transfere a ligação e ninguém atende até que a ligação caia, insisti junto ao 156, telefonei uma 10 vezes e consegui o telefone do CAP Cento de Atendimento Permanente mas ninguém atende.
Solicitei o telefone da Ouvidoria ou do responsável e me informaram que é o
0800-175717 e atende de 2ª a 6ª feira de 9 às 17 horas, naquele instante o relógio já marcava 17:30 portanto somente na Segunda-feira eu poderei fazer a reclamação.
Então eu perguntei: se amanhã no Sábado o mendigo já estiver morto, eu chamo o rabecão?
A atendente respondeu que SIM.
Solicito a ajuda de vocês para solicitar à prefeitura que trabalhe, apenas isto trabalhe e venha recolher um mendigo aqui na minha rua.
O nome da minha rua é ...... no Jardim São Januário – ao lado do Shoping Campo Limpo
e o mendigo está na calçada no início da rua, perto do número 20

Agradeço pela atenção

Entre 18 e 21:30 enviei e-mail para a rádio Eldorado, para a Jovem Pan, e continuei tentando contacto com alguém, finalmente consegui os telefones 11-3228-5668, 3228-5554 e 3392-6739
e felizmente consegui falar com alguém.

21:30
Parei de tomar cervejas geladas, o frio gelando até os ossos, agora estou tomando chocolate quente, minha casa fechada, o aquecedor ligado e finalmente consegui falar com alguém, pedi para recolherem o mendigo.
Será que eu consegui salvar a vida deste pobre quase cidadão?

7:30 de 26 de Julho, Sábado, manhã fria e chuvosa do inverno de 2009
Acordei, meu primeiro pensamento é conferir se o mendigo foi recolhido.
Tomei um banho quente, me vesti nas minhas roupas de frio, algumas importadas do Chile, os chilenos entendem de agasalhos contra o frio, minha primeira atitude foi sair para a rua e verificar se haviam ACOLHIDO o mendigo.
Felizmente fizeram a parte deles e eu me sinto feliz, pois também fiz a minha.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Lixam-se todos

Se parlamentares não consideram a opinião pública, também esta parece cada vez mais "se lixar" para a política

O sistema eleitoral em vigor não corresponde ao desenvolvimento da consciência política da sociedade.

COMO NINGUÉM é de ferro, também o Congresso entra em férias, e o Executivo o acompanha. Ministros abreviam seus compromissos em Brasília, enquanto os membros do Legislativo -que fizeram menos do que nunca, neste ano, para justificar sua função- recolhem-se a um imerecido período de recesso.
Alguns analistas políticos consideram que, mesmo durante as férias parlamentares, não haverá esmorecimento nas denúncias que se abatem sobre o presidente do Senado, José Sarney, e sobre tantos outros políticos que com ele rivalizam em apadrinhamentos e abuso de prerrogativas.
Se for verdadeiro o prognóstico, será eloquente também. Pois o que se vê, na política brasileira, é um progressivo descolamento entre o ritmo dos escândalos e a lógica da disputa parlamentar.
Em outros tempos, uma bancada "de oposição" cerraria fileiras contra os protagonistas de cada escândalo. Hoje, não há legislador que não tenha seu telhado de vidro.
Como resultado, desaparecem os canais políticos capazes de dar vazão ao inconformismo dos cidadãos mais informados. Ainda que afrontosa, a frase do deputado que declarou "se lixar" para a opinião pública não deixa de fazer sentido.
É que o sistema eleitoral em vigor não corresponde ao desenvolvimento da consciência política da sociedade.
O mecanismo do voto obrigatório constitui, sem dúvida, um dos principais fatores a acentuar o hiato entre o comportamento do eleitor e as reações, frequentemente indignadas, dos cidadãos que tomam conhecimento dos abusos cometidos por seus representantes.
Não é este, contudo, o único motivo para a completa sem-cerimônia com que deputados e senadores transitam pela maré de escândalos que os cerca. Ao contrário do que ocorreu em alguns momentos marcantes da história do país -como a mobilização em torno das Diretas-Já ou do impeachment de Collor-, vê-se hoje uma apatia generalizada no seio da sociedade civil.
Apatia, bem entendido, não significa ausência de julgamento nem de opinião; precisamente, a "opinião pública" continua viva nestes dias. Reduz-se, entretanto, a ser apenas uma "opinião", sem forças para converter-se em real força política.
Poderão assim prosseguir, como é previsível, as revelações de mais e mais desmandos no Senado; o recesso parlamentar não conta, num ambiente em que inexistem bancadas partidárias comprometidas seriamente com a ética política.
Lixam-se todos, em resumo, para a opinião pública.
Não é este o pior aspecto da situação. O pior, e parece já acontecer, é o fenômeno inverso. Também a opinião pública se lixa para eles. Sabe de que matéria são feitos; desiste de corrigi-los; prevê que serão eleitos novamente; declina, em suma, de se ver representada do ponto de vista político, abandona a participação democrática em favor de uma suposta normalidade institucional: no mar de lama, navega-se sem susto.

Editorial da Folha de São Paulo de 22/07/09

terça-feira, 21 de julho de 2009

Uma das alternativas à cidadania: Educação!

Autor: Paulo. H. S Santos (1)


A revista Carta Capital publicou em seu site uma matéria do jornalista Gilberto Nascimento (2), na sua coluna “Políticas & Sociais”, na qual destaca o crescimento na estimativa das taxas de mortalidade de adolescentes, entre 12 e 18 anos, em 267 cidades brasileiras.
Entre os estados com maior índice de assassinatos de jovens estão Governador Valadares, em Minas Gerais, Cariacica, no Espírito Santo e Foz do Iguaçu, no Paraná, esse último com um dado de 9,7 homicídios para cada 1000 adolescentes.
As informações estão de acordo com uma análise do Índice de Homicídios na Adolescência (IHA), elaborado pela Secretaria Especial de Direitos Humanos, a ONG Observatório das Favelas e pelo Fundo das Nações Unidas pela Infância (UNICEF). Divulgado hoje (21/07), o índice segue a lógica do Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde, assim como do IBGE, e mostra uma estimativa de que nos próximos 7 anos cerca de 34.000 jovens serão vítimas de homicídio no Brasil, antes de completarem 19 anos.
Diante das estimativas do IHA, uma das conclusões à que chegamos é a de que este cenário reflete a extensão do território sob o qual a população se encontra desassistida pelo Poder Público, pois uma das principais causas do aumento da violência é a ausência do Estado, promovendo políticas de cidadania ampla.
Vale ressaltar, no entanto, que a cidadania poderá ser promovida, também, por meio de redes sociais, que tenham como objetivo proporcionar a informação para que, unido a coletividade, o cidadão possa reivindicar a tutela do Estado em relação a suas necessidades e anseios. Um exemplo da necessidade do povo é a educação que, definitivamente, não vem sendo suprida pelo Estado nos últimos anos. Embora, o empenho dos professores brasileiros, principalmente aqueles que lecionam em localidades distantes e que não possuem os subsídios para realizarem seu trabalho, represente de certa forma, um importante e significativo critério para a redução desses índices.
Mas e o Estado? Esse deverá promover, por meio de programas de educação na rede pública, voltados aos valores sociais e aos principais conceitos de cidadania estabelecendo assim, os elementos para a construção de uma sociedade, cujo direito à vida, a liberdade e a segurança, como prevê o art. III da Declaração Universal dos Direitos Humanos, seja efetivamente exercido.
Portanto, sob a perspectiva dos Direitos Fundamentais, percebemos que a educação, com sentido de formação da consciência da cidadania, é, certamente, uma alternativa à transformação da sociedade.
Antes de finalizar, gostaria de pedir desculpas ao leitor pela redundância do discurso, porquanto, muitos já opinaram a respeito. Por outro lado é um discurso que dificilmente se tornará obsoleto, pela luta de todos nós!
É isso!

(1) Paulo H. S. Santos é acadêmico de Direito, na Universidade Nove de Julho.
(2) Gilberto Nascimento é editor da revista Carta Capital. Jornalista especializado em Direitos Humanos pela Universidade Columbia (Nova York), passou por veículos como Isto é, Correio Brasiliense, Jornal do Brasil, entre outros. Ganhou dez prêmios de jornalismo, entre eles o Wladimir Herzog de Direitos Humanos, o Prêmio Ayrton Senna de jornalismo e o Simon Bolívar do Parlamento Latino-Americano. Foi oficial de Comunicação do UNICEF.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

A legitimidade da cidadania

Autor: Paulo H. S. Santos


A professora Maria Victória Benevides(1) foi a convidada e palestrante durante o encontro realizado em dia 27 de Junho junto ao CDHEP (Centro de Direitos Humanos e Educação Popular) no bairro Capão Redondo, zona Sul de São Paulo.
Durante sua palestra a professora Maria Victória fez uma abordagem interessante acerca da conquista da cidadania, após a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que, na sua visão, parte do pressuposto de que se deve, antes de qualquer ação, existir o reconhecimento legítimo de que houve uma lesão ao direito, bem como o reconhecimento daquele agente que lesou esse direito.
Sob a perspectiva da cidadania, como conjunto de princípios baseados na vontade geral, soberana e, sobretudo, legítima do povo, que tem por finalidade proteger os indivíduos contra o abuso do poder pelo Estado, Maria Victória Benevides definiu alguns dos direitos inerentes à dignidade humana, que devem ser respeitados, assim como preservados pelo Estado. Conquanto, a Constituição Federal de 1988 assegura, de acordo com os arts. 5°; “Caput” e, 60, § 4°, IV os direitos, garantias e deveres fundamentais ao interesse individual e coletivo.
Decerto, são constantes as situações, nas quais os princípios constitucionais soberanos não são aplicados obedecendo a critérios justos e iguais, devido ao acesso à justiça ser ainda difícil por grande parte da população. Embora existam mecanismos, cuja utilização reduz essa dificuldade, resultando em uma maior eficácia na aplicação do direito. No entanto, é importante ressaltar que esses preceitos representam a maior, e mais importante, conquista concernente aos direitos humanos, pois por meio desses princípios foram assegurados de forma literal os direitos a um ambiente seguro, ao trabalho, à participação no desenvolvimento social, entre outros direitos e conquistas do povo.
Portanto, diante desse cenário, independentemente de diagnósticos e fatos pessimistas, devemos agir sempre buscando ações que efetivamente promovam mudanças sociais, para uma evolução positiva à cidadania, em todos os sentidos e com amplitude universal.
Destarte, sob a análise da professora Maria Victória Benevides, a Constituição Cidadã é o principal elemento de legitimidade do povo, para reivindicar em face do Estado algo que lhe é necessário, pois é dever do poder público promover um Estado Democrático de Direito, visando, sobretudo, o Bem-Estar-Social.


1. Maria Victória Benevides é professora de Sociologia da Faculdade de Educação da USP. Diretora da Escola de Governo, membro do Conselho de Combate à Tortura da Secretária Especial de Direitos Humanos do Governo Federal. Militante histórica da luta pela Cidadania e Direitos Humanos. Autora de vários livros, entre eles “Desafios para a Democracia no Brasil”. Rio de Janeiro: 2005 ed. CEDAC/ Oikos. “Reforma Política e Cidadania”. São Paulo: Ed. Perseu Abramo, 2003.